O apego é mesmo Amor?

Uma das maneiras de as pessoas se privarem do amor é especialmente confusa, porque parece ser uma maneira de o aumentar: é o apego!

Na sua forma mais subtil, o apego é o desejo de estar com uma pessoa especial, e começa desde cedo a ser evidente nas nossas vidas. Enquanto bebés desejamos estar de forma afeiçoada com as nossas mães; na escola escolhemos de forma seletiva a nossa melhor amiga, quando começamos a namorar queremos exclusividade na nossa relação. A dinâmica de base oscila entre a inclusão de alguém como especial e único e a exclusão dos demais como não tão relevantes.

Amor e apego são distintos, e nas relações adultas nem sempre conseguimos distinguir essa ambivalência e é aqui que devemos relembrar os principais pilares que os distinguem:

  1. O amor implica dar ao outro a liberdade de ser quem é; o apego foca-se principalmente nas suas necessidades e desejos anulando o outro.
  2. O amor não exige; o apego exige de forma avassaladora.
  3. O amor é muito mais que uma existência dupla; o apego limita-se á dinâmica que circunscreve os dois elementos da relação.

Será então o desapego uma palavra-chave para uma relação saudável?

Deepack Chopra diz que quanto mais desapegado se for mais verdadeiramente se conseguirá amar; que a ação que não prende vem diretamente do amor e que todas as outras vêm diretamente do passado!

Por vezes em nome do dito amor, uma das partes permite-se assumir o poder e o controlo e outra entrega-o. A maior parte das vezes esse comportamento deriva de um exacerbado medo da rejeição, de falhar, de não ser capaz e a ilusão do controle apodera-se da relação. O apego acaba por ser uma reação instintiva ao principal motivo pelo qual se procura uma relação: a segurança. Contudo haverá algo que nos faça sentir mais inseguros que um estado de apego permanente em relação a algo que por si só é incontrolável?

As necessidades que transpomos para as nossas relações não devem ser materializadas em apego. Devem sim ser entendidas e garantir que existe clareza em relação às necessidades intrínsecas das partes. Quando pensa nisto o que mais valoriza numa relação: ser respeitado ou aceite?; sentir apoio ou ser ouvido?; estar certo ou ser feliz?

Vejo o apego numa relação como quando comemos um doce para travar o desconsolo.

Biologicamente ao comer açúcar existe a ilusão de prazer temporária e a carência e o desejo de mais, aquilo que parece que é, apenas o é pontualmente mas mesmo assim prevalece e repete-se como um desejo incontrolável. Acreditar que a presença do outro nos vai colmatar a necessidade de prazer, de plenitude nada mais é que uma ilusão pois nenhuma variável externa poderá jamais preencher esse espaço vazio.

A minha dica para si: jamais entre numa relação em carência; dedique parte do seu tempo a alimentar o amor-próprio e a satisfazer as suas necessidades sem necessitar da aprovação exterior pois só assim será capaz de dar a cada momento a plena atenção e energias positivas que o alimentam de verdade. A aceitação do EU é a maior forma de amor.

“Existo tal como sou, isso é suficiente,

Se mais ninguém no mundo toma conhecimento, eu sento-me contente;

E se cada um e todos tomam conhecimento, eu contente me sento….”

(Walt Whitman)

Photo credit: ellyn. via Foter.com / CC BY-SA

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