O papel dos Lobos Frontais nos processos de tomada de decisão

Recentemente descobri um artigo cientifico, que escrevi nos meus tempos de faculdade e partilho um excerto pois acredito adicionar valor para quem quer entender melhor o processo de tomada de decisão. A questão dos processos de tomada de decisão no homem tem sido uma questão muito analisada em estudiosos das neurociências pois até á data mantém-se a dúvida de o processo ser determinado exclusivamente ou não pela morfologia do lóbulo frontal.

É um facto que está no lobo frontal o grande vector de diferenciação entre o homem e os restantes animais, não só pela dimensão da área em questão (que ocupa no homem a maior parte do seu córtex cerebral e tem vindo a evoluir nos últimos tempos) mas também porque distingue algumas das suas funções cognitivas superiores.

Apresentação anotomo funcional dos lóbulos frontais

Os lobos frontais preenchem mais de um terço do cortéx e ocupam a posição mais anterior dos hemisférios cerebrais. A forma como as pessoas formulam objectivos, planeiam e implementam acções, adaptando o seu comportamento à interacção com os pares e ao contexto social onde se inserem, são tudo questões relacionadas com o funcionamento das áreas pré frontais.

No intuito de verificar algumas diferenças morfológicas e funcionais dos lobos frontais, Goldberg desenvolveu a Tarefa de Tendência Cognitiva. Perante um desenho geométrico num cartão (alvo), outros dois cartões com desenhos são apresentados (escolhas), o sujeito deve escolher um das figuras em relação ao alvo. Comprovou-se que tendencialmente os homens escolhem de acordo com o contexto, considerando o alvo, ao passo que as mulheres tendem a escolher independentemente do contexto.

Responsabilidades do córtex pré-frontal

As várias conexões que o lobo pré-frontal estabelece, envolvem as funções classificadas de executivas (ex. atenção, abstração, planeamento), e comportamentais (emoção, motivação, antecipação, planeamento e capacidade de tomar decisões num contexto). No caso dos adultos cujo cérebro já se encontra relativamente estável, as principais directrizes cerebrais são a tomada de consciência das emoções e a tomada de decisão. O cortéx pré-frontal é responsável, para além da tomada de decisão, de funções como: o raciocínio social; intencionalidade, previsão e planeamento; iniciativa, fluência, atenção, capacidade de resistir à interferência, capacidade de abstracção, flexibilidade mental e memória de trabalho; interpretação cognitiva das emoções, entre outras.

Tomada de decisão

Para Stenberg (2000), tomada de decisão diz respeito ao conjunto de processos cognitivos pelos quais uma pessoa pode avaliar várias opções e seleccionar a opção mais adequada, dentre várias alternativas.

Já segundo Damásio (1994), tomar decisões supõe conhecer: “(1) a situação que exige tal decisão; (2) as distintas opções de acção; e (3) as consequências imediatas ou futuras de cada um das acções.” Sugeriu também os marcadores somáticos, como um mecanismo específico, gerador da tomada de decisão, através do qual adquirimos, representamos ou memorizamos os valores das nossas acções.

Outros autores consideram ainda a tomada de decisão, como um processo de busca de benefícios, as respostas que induzem resultados positivos tendem a ser as escolhidas durante o processo de tomada de decisão. (Alves, 2006).

Recentemente, psicólogos, economistas e neurocientistas interessados em estudar os processos de tomada de decisão de animais e humanos, desenvolveram a Neuroeconomia; cujo principal objectivo é o de perceber os mecanismos cerebrais responsáveis pelos processos avaliativas de custo e beneficio em decisões adaptativas. Contudo e ao longo da evolução cortical, verifica-se que as estratégias humanas de tomada de decisão mudam com a experiência.

Tomada de decisão e lobo pré-frontal

Investigações recentes permitem propor uma neuroanatomia dos processos de tomada de decisão associados ao córtex pré-frontal. Neurobiologicamente, distintas áreas cerebrais, estão envolvidas neste complexo processo decisório, cujo objectivo comum é a filtragem e selecção dos vários estímulos e a expressão de um comportamento ajustado às contingências do meio externo. (Alves, 2006)

Talvez seja a existência desta teia de conexões, que por vezes nos faça sentir tanta dificuldade em toma-las, por outro lado convêm lembrar que é esta uma das competências que nos distingue.

Alves, Gilberto S., Rozenthal, M. (2006). Avaliação neuropsicológica dos circuitos pré-frontais relacionados à tomada de decisão n esquizofrenia: uma revisão sistemática da literatura. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, v.28, nº3, Porto Alegre.
Damásio, A.R.(1994). O erro de Descartes. Lisboa. Publicações Europa-America
Stenberg, R.J. (2000). Psicologia Cognitiva. Artmed Editora. Porto Alegre.

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