Quantos rótulos carrego ao pescoço?

No outro dia uma cliente minha de Coaching partilhou comigo a seguinte reflexão:

“Hoje faltei ao trabalho porque estava doente, mas como as pessoas já me acusaram de ter faltado, não por questões de saúde mas sim pela minha incapacidade de ser confiante em contexto de grupo, cheguei à conclusão que nunca me vou libertar deste rótulo!”

Após refletir sobre o assunto coloquei-lhe a seguinte questão:

“Serão realmente factuais os rótulos que os outros nos colocam, ou seremos nós quem os aceita como verdade?”

Quantos rótulos carregamos ao peito? Serão eles verdades absolutas ou meras aquisições passivas, inerentes a uma dinâmica social inconsciente?

Rótulos de auto atribuição (que eu crio inconscientemente)

Sabendo que o nosso cérebro não distingue verdade da mentira e que a forma como represento linguisticamente o que penso, sinto e a minha perceção da realidade, o que acham que acontece quando dizemos as seguintes frases:

  • “Sou mesmo insegura, não consigo avançar!”
  • “Nunca consigo fazer nada bem, tudo o que faço acaba sempre mal!”
  • “Sinto-me uma verdadeira fracassada! Ao longo da minha vida nunca consegui nada do que quero.”

As palavras que uso, o tom de voz (interno ou externo) com que as verbalizo, a intensidade e credibilidade com que o digo, são o principal fator que faz com que quando me olho ao espelho me veja com vários rótulos ao peito (rótulo da incapacidade, da insegurança, do fracasso).

Imaginem agora alguém que se vê ao espelho com estes rótulos durante anos, de repente, e mesmo que não goste deles, corre o risco de os assumir como identidade. É quase como um sinal que nos parece e que no início incómoda mas rapidamente se torna uma realidade. Podemos retira-lo mesmo sendo real? Claro que sim, é uma escolha que deriva de 3 etapas fundamentais:

  1. Consciência que o temos – Quais os rótulos que esta a carregar consigo neste momento?
  2. Desejo de o alterar – Quais desses rótulos pretende remover por não servirem o propósito de ver outros que são mais úteis?
  3. Preparação dos procedimentos para o fazer – O que vai fazer para mudar essa perceção limitadora que tem de si próprio?
  4. Implementar – Quanto tempo está disposto a praticar a mudança para a tornar real? Quando vai começar e como vai garantir consistência?
  5. Olhar várias vezes ao espelho com o novo eu até estar convencido – Que novos rótulos precisa ver para ter a certeza que a mudança ocorreu?

2- Rótulos de hétero atribuição (que eu acato inconscientemente)

Muitas vezes até temos um bom auto conceito e são variáveis externas, as que nos induzem a perceção dos nossos rótulos.

Como se sentirá uma criança que ouve: “Deixa que eu faço, isso é muito difícil para ti!”

Como se sentirá um colaborador que ouve: “ Nunca vai conseguir evoluir na empresa!”

Como se sentirá uma amigo ou namorado que ouve: “ És sempre a mesma coisa, nunca se pode confiar em ti!”

Ao aceitá-los como verdadeiros, existe uma grande probabilidade de quando olhar ao espelho os começar a ver ao peito. E ai, rapidamente deixam de ser rótulos herdados e passam a ser rótulos de auto atribuição.

Experimente questioná-los antes de os assumir:

  1. Em que se baseiam estas pessoas para me dizer isso?
  2. As suas argumentações são factuais ou perceções do meu comportamento?
  3. Em que outras circunstâncias o meu comportamento, é o oposto positivo do rótulo que me estão a atribuir?

Aquilo em que me foco dita aquilo que sinto e a longo prazo, aquilo em que me transformo. A próxima vez que se olhar ao espelho, fique atento! Foque-se em identificar os seus rótulos, mude os que não servem o seu propósito e carregue com admiração os que conquistou e quer manter….

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  1. […] vezes, o processo de reforço da nossa confiança é mais depressa validado pelos outros que por nós próprios. Quantas vezes já deu por si a […]

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